terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

sábado, 17 de janeiro de 2015

OS BAIXOS SALÁRIOS E A BAIXA PRODUTIVIDADE

Uma mentira, se repetida mil vezes, mesmo continuando a ser mentira, passa a ser tomada por todos como verdade. É este o caso da relação entre os baixos salários dos portugueses e a sua baixa produtividade. Tantas vezes se disse que os baixos salários são consequência da baixa produtividade, que deixamos de ver que no essencial essa não é a verdade, mas antes o seu oposto:

A verdade é que os baixos salários promovem a manutenção da baixa produtividade.

Historicamente isso pode ser verificado e demonstrado por muitas situações, mas dou-vos como exemplo o que se passou nos campos agrícolas alentejanos (e não só) ao longo do século XX. Enquanto a mão-de-obra foi muito barata, o baixo custo dos salários não justificava o investimento em máquinas. Dito de outro modo, era economicamente mais interessante pagar o salário a um grupo de ceifeiros, que comprar uma ceifeira. No entanto, assim que, devido ao êxodo rural o preço do trabalho subiu, a mecanização arrancou. Acabaram os bandos de ceifeiros e começaram a ver-se as máquinas a andar pelos campos.
O que se passou no setor do calçado em Portugal nos últimos 30 anos demonstra igualmente o que afirmo. O trabalho infantil, feito em casa, com mão-de-obra paga miseravelmente, era justificado para assegurar a “sobrevivência” do setor. Dizia-se que a atividade não suportava pagar sequer o salário mínimo, e por isso o trabalho infantil era um “mal necessário”.  Acabado o trabalho infantil (em boa medida por pressão da U. E.) o setor não só sobreviveu como prosperou. Os salários mais altos obrigam a inovar, a mecanizar, a procurar produtos e mercados compatíveis com as novas condições de produção. Afinal era possível produzir mais que as botas com sola de pneu de automóvel!
Compreenda-se que se um empresário tiver quem trabalhe para si a 10 euros por mês, até pode mandar cortar um relvado com um corta unhas. A produtividade será muito baixa, mas a 10 euros por mês… Se tiver que pagar um salário elevado a quem corte a relva, por certo comprará uma máquina para que se gaste pouco tempo a cortá-la. É assim a vida, é assim que efetivamente funciona o ser humano, é também assim que funciona a economia.
Os empresários, como qualquer outra pessoa ou qualquer outro organismo vivo, obedecem à “lei do menor esforço”: se conseguirem um rendimento satisfatório sem ter que inovar e evoluir, manter-se-ão no conforto imobilista da situação pré-existente; só farão o esforço de mudar, se as condições a isso obrigarem. Mas esse esforço é afinal o combustível da competitividade e do progresso económico, causa, mas também consequência do desenvolvimento de um país.
Quem pensa que o desenvolvimento decorre exclusivamente do crescimento económico numa relação de sentido único, está redondamente enganado: o crescimento económico também pode ser impulsionado pelo desenvolvimento.

Além de tudo isto, salários mais altos estimulam o consumo, e este é o fertilizante fundamental das empresas e da economia. Toda a gente sabe disto!
Também toda a gente sabe que trabalhadores (ou, como gostam de chamar agora, "colaboradores") bem pagos, respeitados e estimulados, são mais criativos empenhados e produtivos...
Pergunta-se então por que motivo nos mantemos neste ciclo de "baixo salário>baixa produtividade", e não evoluímos para o mundo desenvolvido do "bom salário>boa produtividade"?
Penso que talvez seja apenas porque quem nos governa representa os interesses dos maus empresários, os que ficam de "pantufas" na sua "área de conforto", os que não inovam, que preferem comprar um carro de luxo a uma máquina nova para a empresa... 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Barracada no exame de Geografia A

Não sei bem porquê, mas não se falou da "barracada" da aplicação do sistema "coloradd" ao exame nacional de Geografia. Supostamente serviria para permitir aos daltónicos distinguir cores nos mapas que se apresentam na prova, só que... os autores da prova não sabem aplicar uma ideia tão simples, barracada!
Pode verificar-se a nabice em "http://cdn.gave.min-edu.pt/files/557/EX-GeoA719-F1-2014-V1.pdf" , endereço que dá acesso à prova onde qualquer pessoa pode ver que pelo menos os grupos 1, 2, e 4 não podem ser devidamente resolvidos por daltónicos.

O "Público" de 27/3/2013 dizia: 

"A Direcção-Geral da Educação assinou nesta quarta-feira, juntamente com o Gabinete de Avaliação Educacional (Gave) e a empresa ColorADD, um protocolo que visa a integração do código internacional para daltónicos nos enunciados dos exames nacionais.
“O código vai ser aplicado em provas com mapas, gráficos ou representações de elementos em que a cor seja um elemento de identificação essencial. Nos exames do 4.º, 6.º e 9.º ano não há esta necessidade”, explicou o director do Gave, Hélder Sousa, depois da cerimónia protocolar. Isto significa que o código será usado nos exames do secundário das disciplinas de Geografia, Economia, Física e Química, Biologia e Geologia e História.

Muita "cagança"... pouca cabeça

É o país que temos

Ainda gostava de saber se pagamos alguma coisa por essa utilização...

quarta-feira, 26 de março de 2014

CENTENAS DE EGÍPCIOS CONDENADOS À MORTE

529 EGÍPCIOS CONDENADOS À MORTE POR SEREM OPOSITORES AO REGIME MILITAR
Assim a democracia é uma batota.

Quer se goste, quer não a “Irmandade Muçulmana” ganhou as eleições no Egito. Os militares apoiados pelo ocidente não gostaram, e tomaram o poder. Desde que o exército derrubou Mohamed Mursi (o presidente democraticamente eleito), no dia 3 de julho, 1400 de seus partidários morreram pela repressão e outros milhares foram detidos. Agora são CONDENADOS À MORTE 529 militantes da “Irmandade Muçulmana” enquanto outras centenas esperam julgamento.
O que é interessante aqui é verificar como a comunicação social está ao serviço de interesses inconfessáveis. A mesma comunicação social que monta campanhas diárias contra o governo legitimamente eleito na Ucrânia, na Venezuela ou na Síria, deixa passar quase em silêncio total as brutais violações aos direitos humanos que acontecem no Egipto. Não se estranha, porque tem sido esse o rumo da nossa imprensa, rádio e tv. Já com o golpe de estado que os militares argelinos deram após a vitória da FIS na Argélia aconteceu o mesmo silêncio encobridor dos atropelos à legalidade e aos direitos humanos.
Onde estão os paladinos da liberdade e da democracia, que não se insurgem contra o regime militar egípcio? Onde está o bloqueio económico que é usado em outros casos? Já congelaram as contas bancárias dos generais golpistas? Já ameaçaram com ataques militares? Nada! A democracia para os nossos políticos só é sagrada quando lhes é favorável. Caso contrário já não tem qualquer importância. É uma vergonha.
Mas tudo isto vai passando despercebido entre os golos do Ronaldo e os desfiles de moda. Querem fazer de nós parvos, e infelizmente até vão conseguindo. De certa maneira o tempo da censura era bem melhor: as notícias eram censuradas, só se dizia o que o estado deixava, mas isso sabia-se. Agora não. Agora somos levados a pensar que a informação que nos chega é isenta, imparcial e verdadeira, mas é tudo menos isso.

A democracia assim é uma batata, ou melhor, é uma valente batota.

sábado, 1 de março de 2014

O arroz, a escola e o estado podre

Quando trabalhei na gestão de uma escola pública recebi instruções da tutela para que nas refeições escolares só se usasse arroz agulha. Achei estranho e interroguei os responsáveis sobre o assunto. Pretendia saber se o arroz carolino era menos bom para a saúde, ou se apresentava qualquer outro inconveniente que eu desconhecesse. Nunca me responderam.
Vejo que o princípio ainda está em vigor (hoje na Circular nº.: 3/DSEEAS/DGE/ 2013) e, sabendo que em Portugal se produz sobretudo arroz carolino, que os nossos produtores têm dificuldade em vender, e que o arroz agulha é quase todo importado, mais uma vez me questiono sobre o motivo que leva a criar uma norma que nos obriga a importar arroz, quando temos dificuldade em vender o nosso.
Nós portugueses, gente deste povo, escaldada com a manhosice dos do poder, costumamos nestes casos pensar que algum familiar ou amigo do responsável do Ministério da Educação é importador de arroz agulha... Mas isso são coisa do povo que é ignorante e estúpido, porque os nossos governantes seriam incapazes de um esquema maldoso sesse tipo!

domingo, 15 de dezembro de 2013

A ASSOCIAÇÃO DE PAIS E A GENTE DE BEM

Dizem-me, mas eu não acredito, que um grupo de pessoas organizado com base num partido político, tenta desesperadamente conquistar a associação de pais de uma escola. Dizem-me as mesmas vozes que com isso pretendem fundamentalmente ganhar lugares no Conselho Geral da escola e assim conseguir fazer eleger um diretor da sua cor política. Dizem-me que tão dedicados militantes esperam, à laia de contrapartida, vantagens várias para si e para os seus, que na vida tudo se paga…
Eu, é claro, não acredito em nada disto, tanto mais que a ser verdade constituiria um esquema mafioso de troca de favores, compadrio inaceitável a roçar a corrupção. Não acredito até porque tenho estima pessoal por algumas das pessoas alegadamente envolvidas neste “esquema”, e me arrepia ver nelas a degradação moral que grassa entre muitos políticos deste país.
Também me custaria a acreditar que não existisse na organização local do dito partido gente honesta e com visão de futuro, gente capaz de dar um murro na mesa e impor o mínimo de decência e ética política. Se isso fosse verdade, todos os elementos da estrutura partidária local do dito partido político seriam cúmplices de manobras desonestas e imundas, porque, como se sabe, “tão ladrão é o que vai à vinha como o que fica ao portão”.

Mas felizmente nada disto deve ser verdade, todos nós poderemos continuar a estimar e respeitar os nossos concidadãos quer militem ou não em qualquer partido político.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Mário de Andrade escreveu. Eu sinto-o em absoluto.

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.

As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.

'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta comtriunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,

O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!