domingo, 28 de agosto de 2022

A peste a guerra e a fome

A pandemia recente fez lembrar as antigas epidemias que dizimavam a população do mundo depois de períodos de crescimento demográfico lento. Era como se sempre que a população humana crescia em demasia, a natureza (ou algum deus ou demónio) viesse colocar as coisas no seu devido lugar e reduzir o número excessivo de homens. É claro que apesar de ter provocado alguma mortalidade, felizmente as consequências desta pandemia não se aproximaram de algumas das grandes e aterrorizadoras razias do passado. Mas como as outras grandes epidemias da história também esta vai cedendo ao passar do tempo, e se não se extinguiu de todo, pelo menos tornou-se menos agressiva e mortal, e mais cedo ou mais tarde vai acabar por passar.

Depois do auge da preocupação com a pandemia, veio a guerra na Ucrânia. Na verdade não há dia nenhum em que não haja guerras no mundo, mas longe de nós e com fraca cobertura mediática, e muitas vezes nem nos lembramos delas. Mas é claro também que a guerra na Ucrânia tem uma importância especial por ser uma peça importante na evolução geopolítica mundial na transição que se adivinha entre o mundo unipolar que nos tem governado, e o mundo multipolar que está para vir. Pela sua proximidade, pela importância para o futuro das relações entre os países do mundo, e sobretudo pela cobertura anormalmente extensa e emotiva  que dela se tem feito, esta guerra tem algo de muito marcante para todos nós.

Vivemos assim nos últimos anos num mundo de insegurança, seja pelas preocupações (por vezes exacerbadas e quase doentias) com a saúde, seja pela “guerra na Europa” que ao que dizem (sobretudo para nos assustar), pode descambar num conflito nuclear final. Se em relação à pandemia todos os esforços e dificuldades que passamos eram consequência da necessidade imperiosa de combater o “mal” em forma de doença impiedosa e mortal, agora com a guerra, a narrativa mantém-se: esta é uma luta do “bem contra o mal”, e assim se explica o mundo a pessoas tratadas como crianças ingénuas. Mas a insegurança e a ideia de combate ao “mal” estão estabelecidas.

O que não se explica é que depois da peste e da guerra, provavelmente virá a fome. Mas neste caso não virá como consequência direta de qualquer delas (peste ou guerra), nem por fatalidade histórica, mas antes como método estudado para concentração de poder e de riqueza na mão dos que já hoje são escandalosamente ricos. Desta vez, com o artifício de uma crise que eles próprios estão a criar, parece que pretendem assumir o controlo de recursos vitais para qualquer sociedade, como a energia (sobretudo as novas formas de energia), a alimentação e a água.

Deixem-me adivinhar: como consequência das alterações climáticas, da escassez de sementes disponíveis no mercado, da dificuldade de comercializar os adubos russos, e mesmo da redução forçada das áreas agrícolas que está em curso em alguns países da Europa, no próximo ano teremos escassez de alimentos em vastas áreas do mundo. É claro que numa economia de mercado os preços vão subir, e quem conseguir pagar passará bem, mas quem for pobre…

Claro está que a recessão do “Ocidente”, que já começou, se vai propagar a outras regiões, e a inflação galopante, que se pode aproximar em alguns países ricos de valores inimagináveis ainda há alguns anos, ou seja, para perto dos 20% ao ano, vai retirar o poder de compra sobretudo às classes baixa e média. As empresas que vão falir serão compradas por “tuta e meia” pelas que pertencem aos grandes grupos económicos, e assim se concentrará mais a economia e a riqueza nas mãos de cada vez menos.

Também o controlo da água, enquanto recurso vital está na agenda dos que fomentam e conduzem a crise que temos ainda apenas a nascer. A água é um bem fundamental, e quem a controlar tem os povos inteiros na mão. Sabemos bem como um tanto por todo o mundo, mas também em Portugal, se tenta retirar o controlo da água do setor público, sempre com o discurso cínico e enganador da falta de eficácia, sobre os ganhos de produtividade, sobre as perdas e roturas dos sistemas… Agora, com a seca e a falta de água que já se vai sentindo, sugere-se às autarquias que subam os preços da água, para que as pessoas aprendam a poupar o precioso líquido, mas vários autarcas já se estão a recusar a aumentar os preços da água aos seus munícipes. Eles ou sabem ou intuem que esse passo faz parte de um processo pensado para facilita a privatização da água. Sendo cara, uma empresa privada pode acenar com a baixa de preços, e assim cativar a opinião pública para o processo de subtração de mais um bem coletivo dos portugueses por uma entidade privada (e no futuro estrangeira). Cuidado portugueses…

 

sexta-feira, 15 de julho de 2022

As guerras da minha infância

Quando eu era miúdo já havia aquilo que hoje chamamos “bullying”, só que nesse tempo não se chamava assim, nem se ligava muito. Na minha escola havia uma mão cheia de repetentes matulões que mandavam e desmandavam nos mais pequenos.

Entre esses matulões mais fortes e mais velhos destacava-se o “América”, que andava sempre de chapéu à “cowboy” e tinha a mania que podia fazer tudo o que lhe passasse pela cabeça. Se lhe apetecesse aumentar a sacalhada de berlindes e abafadores roubados aos pequenos bastava dizer: “ó puto, passa para cá esse ‘guelas’ de vidro”, e o miúdo pequeno logo lhe estendia a mão trémula com o berlinde pretendido.

Havia um outro a que chamavam “Russo”, talvez por ser de tez clara. Esse impunha-se também aos mais pequenos e, sempre que possível, e aproveitava-se deles para seu próprio bem. Se pedisse a um dos pequenotes uma peça de fruta ganhava-a de certeza, a menos que o alvo em questão fosse um dos protegidos do “América”, porque nesse caso logo o chamava como protetor. De resto era assim no geral: cada matulão tinha a sua corte de putos fracotes que o bajulavam para receber a proteção do respetivo calmeirão.

Havia outros miúdos encorpados mas que davam menos nas vistas. O “China” era forte, mas geralmente não se metia com ninguém. Em vez de roubar aos outros as caricas, era ele mesmo que as fabricava com as cápsulas das garrafas de cerveja cheias de chumbo fundido, o que lhes dava um peso extra único. Nas corridas de caricas as dele nunca eram deitadas para fora da pista pelas dos outros e, bem pelo contrário, as que chocassem com as dele é que saíam borda fora e tinham que recomeçar do início. O “China” trocava as suas preciosas caricas e outras coisas que fabricava por berlindes e peças de fruta, e tinha assim sempre tudo o que queria.

Nessa escola passavam despercebidos outros grandalhões, como o “Índio”, morenão com quem ninguém se queria meter, mas que tinha problemas suficientes na sua vida para que também não se fosse meter com os outros. Como o “Índio”, havia outros rapazolas mais fortes com os quais mesmo os grandalhões mais temidos não queriam problemas, e que assim iam passando quase despercebidos.

Houve muitos episódios que me vêm à memória com estes personagens e, evidentemente com muitos outros, porque aquela escola tinha quase duas centenas de alunos. Num inverno, por exemplo, o “Russo” andou doente. Andava tão definhado, magro e pálido que até metia dó. Ora, está-se mesmo a ver que o “América” se aproveitou da fraqueza do adversário de sempre para o amesquinhar o mais que pode. Os protegidos do “Russo” abandonaram-no e juraram fidelidade ao “América”. Por esse tempo quem não fosse fiel ao todo poderoso da escola tinha que sofrer as represálias desse grandão que agora mandava sozinho. Claro está que os outros calmeirões, como o “China” e o “Índio” não fizeram muitas ondas, tentaram que ninguém se metesse com eles, e deixaram o tempo correr. Eles sentiam que estavam a crescer depressa e que estavam cada vez mais fortes, e por isso o tempo era seguramente seu aliado.

Mas a doença do “Russo” passou, ele ganhou de novo cores e músculo, e reforçou a sua vontade de não andar às ordens de ninguém. Para se tornar mais respeitável especializou-se na pedrada. Era certeiro com o monte de calhaus redondos que trazia sempre na sacola, e arremessava-os sem falhar a uma distância enorme. Por isso era temido entre todos os miúdos da escola. Mas o “América”, muito embora tivesse medo de se meter com o “Russo” por causa das suas pedradas mortíferas, foi arranjando sempre formas de o irritar e prejudicar. Apanhou a jeito um antigo amigo do “Russo”, o “Tótó”, que era um daqueles putos que tinha sido em tempos como um irmão para o “Russo”, mas que se deixava influenciar com facilidade, e incitou-o contra ele. Deu-lhe paus e pedras e até uma navalhinha de ponta aguçada, e foi-lhe dizendo: “não tenhas medo dele, que eu estou aqui e vou-te dando as armas para te safares…” Mas o “Russo” deu pela marosca e quando viu o “Tótó” a preparar-se para o atacar pelas costas, foi-se a ele. Claro que ficaram os dois cheios de negras, muito mais o “Tótó” que não tinha a força de calmeirão do “Russo” nem disparava as suas pedradas certeiras.

Ao ver a bulha, o “América”, ao longe, ia rindo discretamente daquilo que tinha feito ao “Tótó” e ao “Russo”, enquanto os pequenos seguidores, que queriam continuar nas boas graças do “América”, gritavam histericamente impropérios contra o “Russo” numa roda quase perfeita em torno da briga. A todos o “América” ia vendendo paus e pedras, e até navalhinhas de ponta aguçada. De longe o “China” e o “Índio” e alguns outros piscavam o olho ao “Russo”. Estavam certamente a tramar alguma contra o “América” e seus pequenos acólitos, para que deixassem de vez de mandar sozinhos…

Acabei por sair da escola e nunca cheguei a saber como acabou o conflito.

sábado, 21 de maio de 2022

 O novo mundo que aí vem

Há anos que se percebe que o Ocidente vai perdendo progressiva e discretamente a sua hegemonia esmagadora no mundo, mas os contornos, a orientação e a velocidade da mudança que se vem anunciando têm sido muitíssimo vagos e de rumo difícil de determinar. Agora, com a guerra na Ucrânia tudo se acelera, e aos poucos uma nova paisagem começa a surgir como se estivesse encoberta por nevoeiro que se dissipa. Era bom de ver que o domínio da Europa Ocidental primeiro, e do “Mundo Ocidental” mais tarde, sobre todos os povos da humanidade, não poderia eternizar-se, e apesar do ainda colossal poderio económico, tecnológico e militar deste grupo de países, novos poderes e alianças se levantam no horizonte. É bom lembrar o passado para compreender o presente e olhar mais lucidamente o futuro, por isso…

Nos últimos quinhentos anos a África foi quase totalmente conquistada, as suas gentes, que passaram a escravos ou servos, foram tratadas como sub-humanas; alguns dos povos das Américas foram completamente extintos, enquanto outros foram reduzidos à servidão, com as suas terras apropriadas por estrangeiros aos quais tiveram que passar a pagar tributo e vassalagem; a Ásia viu civilizações multimilenares esmagadas pelo colonialismo ou dominadas por “protecionismos” aceites à força da ameaça das armas; os povos da Oceania, mortos uns, dominados outros… A todos impusemos a nossa religião, o nosso modo de viver e de pensar, a nossa forma de exercer o poder, mas cinicamente fomos dizendo de nós para nós mesmos e para quem nos quisesse ouvir, que era pelo seu bem, pela salvação das suas almas, pelo seu desenvolvimento, pela sua liberdade... E os que não se queriam converter ao que nós decidimos que era “o seu bem”, então foram convertidos à força sob pena de destruição e de morte. E espalhamos como bênção ou praga pelo mundo o nosso Deus, o nosso modo de possuir os bens e a terra, de mandar nas pessoas, a nossa necessidade de consumir, a nossa forma de governar. Onde o Ocidente chegou, chegou também a ruína, a escravidão, a morte, a guerra, a humilhação e a miséria, e nada deu de bom aos povos do mundo sem que fosse por interesse ou vantagem para si mesmo. Nós tentamos esquecer e fazer esquecer o passado, mas os povos dominados do mundo não esquecem.

Via-se bem que povos de reinos e impérios seculares ou milenares, muitos dos quais durante todo esse tempo sempre caminharam à frente do Ocidente na tecnologia, na economia, na organização social e estatal, nas artes, no conhecimento, não iriam permitir por muito mais tempo este vexame da dominação. Evidentemente esta relação teria que mudar.

O esmagamento cultural das nações pelo Ocidente foi especialmente desrespeitador, alterando as leis locais, censurando as práticas ancestrais, proibindo as religiões tradicionais, e impondo, sempre impondo, os seus valores, a sua forma de ver o mundo, a sua moral. Esmagou os diferentes povos estrangeiros que encontrou no mundo, mas esmagou igualmente as diferentes culturas das diversas regiões dos seus próprios países. Foi mais que a imposição do padrão da civilização ocidental ao mundo, foi a imposição do padrão de certas elites ocidentais a todos, incluindo às regiões e comunidades minoritárias dos seus próprios países. Mas um tanto por todo o lado, dentro e fora da Europa e do Mundo Ocidental, se começou a notar a retoma das línguas regionais antes proscritas e em decadência, dos valores culturais das gentes, e ressurgiram os perigos dos nacionalismos, motivados em parte pela afronta do esmagamento das tradições ancestrais. E agora por todo o mundo aumenta esse gosto pela tradição, pelo folclore, pelas especialidades locais, pelo ancestral. Claro que a riquíssima multiplicidade cultural da humanidade não iria permitir o esmagamento definitivo das culturas e tradições dos seus povos. Percebia-se que algo teria que mudar…

A globalização económica do mundo, com vantagens reais em alguns aspetos, atingiu o absurdo e a irracionalidade ambiental, guiada exclusivamente pela procura do lucro, mas com desprezo total pelas pessoas, pelo seu bem-estar, pelo seu modo de vida, pelo ambiente da Terra e pelo futuro. E vê-se agora que ela, a globalização, contrariamente ao que se disse, nunca foi pensada nem nunca serviu para irmanar e desenvolver os povos, mas antes para dar vantagem a alguns grupos sobre todos os demais. Também se percebe que nesta matéria as mudanças serão inevitáveis…

O mundo unipolar dominado pelo Ocidente parece ser cada vez mais questionado e estar a entrar em acelerada erosão, e pode dar lugar a um outro mundo, talvez de novo bipolar ou mesmo multipolar. Essa exagerada hegemonia ocidental aproximou as novas potências do planeta pela necessidade de resistir às imposições do Ocidente, da sua moeda exclusiva de algum comércio internacional, e às suas imposições financeiras e morais, e é cimentado pelos anticorpos criados no passado. Países tão díspares como o Brasil, a Índia, ou a China, podem ser o esqueleto dessa nova força, mas mesmo alguns países tradicionalmente rivais e inimigos entre si, como o Paquistão e a Índia ou a Arábia Saudita e o Irão, poderão colaborar em alguns aspetos nesta nova aliança discreta e ainda silenciosa. É claro que este novo poder emergente centrado na Ásia apadrinhará os “proscritos” e sujeitos às “sanções” do Ocidente, como Cuba, a Venezuela ou o Irão, cujo principal crime tem sido não dar os seus recursos de mão-beijada às empresas dos até agora senhores do mundo.

Com este cenário montado, o Ocidente, sempre arrogante mas de vistas curtas, empurra cada vez mais a velha Rússia europeia para os braços da Ásia, promovendo a sua aliança com a China, com a Índia e com o resto do mundo já cansado dos desmandos europeus e americanos. O novo poder emergente vai assim ser reforçado em tecnologia e poder militar, porque já possui gente, história, conhecimento, economia e mercado em abundância. A orientação do caminho já se percebe, falta ainda perceber melhor a velocidade dessa caminhada.

sábado, 26 de março de 2022

Saudades da censura

Em tempos a disputa dos recursos das terras fazia-se pela conquista, expulsão dos povos derrotados, e pela tomada de posse da sua terra e dos seus bens por parte dos conquistadores. O antigo testamento, quando nos descreve a conquista da “terra prometida” pelos judeus vindos do Egito, dá-nos bons exemplos dessa situação. Os residentes eram geralmente postos em fuga ou totalmente chacinados, e os seus recursos distribuídos pelos conquistadores. Isto deve ter acontecido desde o início da humanidade (como de resto ainda acontece entre os nossos primos primatas e com outros amimais) e ter durado até ao momento em que os conquistadores deixaram de querer apenas ter a posse da terra para caçar ou cultivar. Nesse tempo conquistar um território dava direito ao uso dos seus recursos como a caça ou a agricultura, mas depois de se ser dono da terra era preciso ir caçar ou cavar a terra…

Com o passar dos séculos os grupos mais poderosos perceberam que podiam não só tirar vantagem dos territórios conquistados e seus recursos, mas também dos povos que os ocupavam, e em vez de os expulsar ou matar passaram a domina-los, obrigando-os ao pagamento dos mais diversos impostos. Foi a partir desse momento que nasceram os impérios em que a conquista se fez sobre os povos e não apenas sobre as suas terras, e em que os vencidos passaram a ser produtores de riqueza para os vencedores. Quando os romanos conquistaram a Península Ibérica não vieram cá para suar as estopinhas até à exaustão lavrando as terras ou ceifando o trigo, mas antes para cobrar impostos aos povos que cá viviam, que assim passaram a ser obrigados a produzir para assegurar a sua própria sobrevivência, mas também para permitir uma vida faustosa e confortável dos conquistadores.

Na atualidade o controlo da vontade dos povos é uma ciência subtil e altamente eficaz, que permite que os dominados nem sequer percebam que o são, julgando-se antes gente livre de escolher o seu modo de vida e o seu futuro. O domínio dos povos assenta atualmente no controlo da informação que lhes chega. Com muito conhecimento sobre a natureza humana, sobre os seus medos e anseios mais profundos, e um bom controlo dos meios de comunicação, consegue-se moldar a opinião das pessoas e manipular as suas escolhas. E isto, sempre estando as gentes convencidas que são senhoras da sua maneira de pensar, e não percebendo que lhes controlam o que veem e ouvem, e logo também o que pensam.

Não é por acaso que no mundo ocidental, a que alguns insistem em chamar de “mundo livre”, os grandes grupos económicos controlam a comunicação social. Quem controla, por exemplo, um canal de televisão, tem um poder imenso sobre a comunidade, pela escolha da programação apresentada, mas também, evidentemente, pelo domínio das redações dos noticiários televisivos. Sabemos que os filmes e demais programas estrangeiros que são exibidos numa determinada língua criam maior ligação afetiva, cultural e mesmo tendência para replicar os modelos culturais dos povos que falam essa língua e cuja vida se partilha diariamente no pequeno ecrã. Neste capítulo não necessito lembrar que entre nós a maioria esmagadora dos filmes nos chega numa única língua, e não em nenhuma das outras inúmeras línguas europeias ou do mundo… E podem crer que se faz muito e muito bom cinema e televisão por esse mundo fora.

A informação das televisões e rádios, e mesmo dos jornais, sofre também um processo de “normalização” em que tendencialmente se dá a conhecer ao público apenas uma certa visão do mundo. Começa pela preferência dadas às agências de informação ditas “de confiança” que apresentam a “sua” visão dos factos; depois vem a seleção e tratamento das notícias que são feitos sob o controlo de chefes de redação nomeados pelas administrações das empresas e, evidentemente estes não lhes querem desagradar. Por isso os próprios jornalistas estão condicionados nas apreciações que fazem sobre o mundo e, se não quiserem passar o resto da vida a fazer apontamentos sobre temas desinteressantes, devem também eles agradar à hierarquia… Portanto o jornalista deve agradar ao seu chefe de redação, que por sua vez deve agradar à administração do grupo detentor do órgão de comunicação, que por sua vez deve agradar aos responsáveis pelo poder político nacional, que por último não querem em caso algum desagradar aos “poderes superiores do mundo livre”. Neste processo de controlo da opinião pública escolhem-se também a dedo os comentadores que se pretende veiculem determinada sensibilidade e opinião… Deste modo cria-se um verdadeiro controlo da informação, feito sem necessidade de “lápis azul”. Este controlo, assente num autocontrolo dos envolvidos no processo, funciona maravilhosamente, dando-nos a ideia que recebemos uma informação imparcial e verdadeiramente livre, quando efetivamente recebemos apenas uma certa visão do mundo e dos seus factos.

Em último caso silenciam-se as vozes dissonantes vindas de dentro ou de fora do sistema, sejam os jornalistas colocados na “prateleira”, sejam os órgãos de comunicação alternativos que ousem não colaborar na difusão da “verdade oficial”. O recente bloqueio de sites russos e de muitíssimos canais “dissonantes” existentes no YouTube são um bom exemplo deste último recurso. Mas mesmo assim, por vezes o controlo do pensamento dos povos falha…

Nesse caso, quando teimosamente os povos não se entregam aos poderes instituídos, pode sempre patrocinar-se um golpe de estado feito pelos militares dos países “incumpridores”, corrompidos por dinheiro e honrarias, como aconteceu não há muito tempo no Egito e na Argélia. Se mesmo isso falhar arranja-se uma desculpa qualquer para uma invasão (mesmo que ridícula e claramente fantasiosa) como aconteceu no Iraque ou no Panamá, e coloca-se no poder alguém de confiança que não permita devaneios de verdadeira liberdade dos povos irreverentes. E em qualquer dos casos a comunicação social dos poderosos do mundo difundirá mil vezes as mentiras dos agressores até que pareçam verdades, e calará o mais possível os seus crimes.

Às vezes quase tenho saudades da censura de outros tempos, porque pelo menos sabíamos que nos estavam a mentir e isso criava homens dominados mas de pensamento livre. Hoje tenho a sensação de viver num mundo de homens que pensam ser livres, mas que na verdade têm um pensamento dominado.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

A conservação da paisagem

Já ia acima da aldeia do Sabugueiro, com vista para norte até terras de Trás-os-Montes, quando encontrei um velho camponês à volta dos campos ainda agrícolas daquele vale das terras altas da Serra da Estrela. Cansado da caminhada sempre a subir, fiz uma breve pausa e disparei para meter conversa: “paisagem magnífica que tem daqui!…” O homem levantou os olhos para o horizonte por alguns momentos, encolheu levemente os ombros e, ainda antes que dissesse alguma palavra, percebi-lhe na complacência amigável a sua visão do mundo feita do outro lado. Depois acabou por dizer: “Acha-a bonita? Se calhar é…”

Ficou claro para mim naquele momento a dualidade do valor da paisagem, que só é verdadeiramente apreciável pelos que não a vivem no quotidiano. Para os residentes a paisagem não é algo que se aprecie ou valorize, nem mesmo que se tenha em conta como realidade autónoma. Para os que nascem e vivem numa mesma região, a paisagem “não existe”, porque aquilo que veem diariamente não tem apreciável valor estético. É simplesmente o mundo que conhecem, onde vivem a sua vida de todos os dias, com os seus trabalhos, alegrias e tristezas. Não é bonito nem feio, é apenas o espaço onde vivem. Aquilo que veem quando levantam os olhos para o horizonte não é forma, mas antes conteúdo e função. Já para os não residentes, passantes ocasionais, moradores recém-chegados ou turistas, pelo contrário, a paisagem é geralmente apenas forma, e é apreciável do ponto de vista estético segundo os padrões culturais de cada um, de cada momento, e de cada sociedade.

A paisagem é na verdade um livro aberto para quem a saiba ler. Ela conta-nos muito sobre a natureza e evolução do território, sobre o trabalho do Homem, a sua cultura e tecnologia, a distribuição da propriedade e da riqueza, a história longínqua e mais recente… está lá tudo, mas estranhamente o que se vê é simplesmente a consequência daquilo que se não vê.

A paisagem entre nós, no sul da Europa, é sempre uma obra do Homem, porque há milhares de anos que por aqui não existem paisagens naturais. Por isso a paisagem é algo necessariamente dinâmico, não só porque responde às mudanças da natureza, como principalmente porque é consequência do quotidiano das sociedades humanas e do seu modo de vida sempre em evolução. E esta questão é crucial quando se fala de paisagem e se pensa na sua gestão: a paisagem é o resultado da acumulação das atividades do homem sobre o meio natural, e evidencia mudanças permanentes resultantes da vida das gentes. Uma paisagem que não muda é fruto de uma sociedade que também não muda, o que no século XXI corresponde a uma sociedade doente ou moribunda.

Com o desenvolvimento do turismo a paisagem passou ela própria a ter um valor económico importante, como já tinham antes os bons solos, a água, os minérios ou os peixes do mar, e por isso temos que aceitar que atualmente a paisagem é também um recurso económico em si mesma. Dizer isto, que é inegavelmente verdade, implica ter que aceitar que este novo “recurso” vive na dependência da forma como usamos os outros recursos. Se as outras atividades humanas, como a agricultura, a silvicultura, a pecuária, o urbanismo, os transportes ou a indústria, introduzirem alterações no aspeto de uma região, essas modificações podem valorizar ou desvalorizar a paisagem enquanto recurso usado pelo turismo.

E aqui começa a complicar-se a situação porque se criam conflitos de interesses entre setores económicos, com as atividades ligadas ao turismo (apoiadas nos paradigmas estéticos conservadores da intelectualidade urbana que se julga progressista), a tentar que a paisagem não mude, e alguns setores económicos da comunidade local a tentar modernizar as suas atividades, o que frequentemente obriga a alterações na paisagem. Entre nós este conflito de interesses parece de conciliação impossível, e os diversos atores em cena mostram-se frequentemente irredutíveis nas suas pretensões. Estão em confronto as duas formas diferentes de olhar a paisagem: como residente ou como estrangeiro. Boa parte das discórdias e dos conflitos que existem quando se fala na gestão da paisagem resultam exatamente desta diferença de visões entre quem constrói a paisagem quando desenvolve a sua vida diária, e quem acha que se deve manter um certo modelo de paisagem por preconceitos e opções estéticas, e por interesses económicos.

Há quem não tenha compreendido que a imutabilidade da paisagem tem como consequência a imutabilidade das atividades humanas, o que é simplesmente um absurdo no momento atual da nossa história. Se, como alguns pretendem, se tentassem conservar sem mudanças as paisagens, isso significaria manter o modo de vida do passado no tempo presente, o que seria inaceitável para os residentes, que são os construtores da paisagem. O mais interessante é que qualquer tentativa de impedir as mudanças na sociedade em nome da conservação da paisagem levaria as gentes a emigrar, e esse abandono das terras conduziria inevitavelmente a uma ainda maior mudança na paisagem. De resto, o caminho de uma sociedade evoluída não pode passar por manter no passado parte da população para que alguns outros a possam exibir aos turistas e disso tirar vantagem.

Mas se a paisagem é um valor económico significativo e espelha o que de bom ou mau fazemos ao território, há sempre que a ter em conta. Por isso julgo que se forem tomadas opções que valorizem as pessoas e as suas atividades económicas, e ao mesmo tempo protejam o ambiente e a qualidade de vida de todos nós, estaremos a construir paisagens diferentes das atuais, mas atrativas para quem vem de fora, e em simultâneo uma vida com futuro para quem está cá dentro.

E isto será assim tão difícil de compreender?

Este texto foi publicado no jornal Sudoeste n.º 178

domingo, 14 de fevereiro de 2021

 Deus, a natureza, e os nossos mitos

Apesar de todos os avanços verificados na ciência no que respeita à compreensão dos sistemas naturais, ainda não nos conseguimos libertar completamente de um certo modelo nascido da ideologia “criacionista” judaico-cristã: o mundo perfeito foi obra de Deus, e conforme foi feito, assim deverá ser mantido até ao final dos tempos. Esta visão do mundo, que olha para os sistemas naturais como obras perfeitas, baseia-se numa visão estática da natureza, imaginando a existência de um estado ótimo e perfeito para cada recanto do planeta.

A mesma visão bíblica que subjaz à nossa cultura coletiva criou a artificial separação entre o ser humano e as demais espécies da “criação”. Mesmo sem que demos por isso esta visão coloca as ações humanas num patamar diferente das ações que resultam das atividades dos outros seres vivos. Daí a dualidade de critérios quando se apreciam os impactos das diferentes espécies sobre os ecossistemas. Por exemplo, quando vemos os elefantes, movidos pela fome a derrubar árvores e contribuir para a formação de uma savana mais aberta, achamos que isso é a ordem da natureza a funcionar: abrir a floresta é criar pastagens para os herbívoros, e daí comida para os predadores, etc., portanto promover a manutenção do “estado perfeito e eterno” da natureza criada por Deus. A ideologia criacionista que constitui o cenário em que se desenvolve o nosso pensamento, leva-nos a pensar que a “sábia providência” (divina ou da natureza, que nós atualmente confundimos) orienta o elefante para a perpetuação da savana “conforme ela é”, que é como quem diz, conforme nós imaginamos que seja o seu estado ótimo, perfeito, e supostamente eterno.

É escusado dizer que, se um desbaste de árvores com a mesma dimensão for feito por um criador de gado que pretende aumentar a área de pastagens para as suas vacas, isso é visto como uma perturbação intolerável que compromete o futuro do planeta. Para o bem e para o mal não conseguimos ver o ser humano apenas como uma das muitas espécies do mundo natural. O sentimento de culpa pelos muitos desmandos que temos feito ao planeta leva-nos a só ver os aspetos positivos das ações de todos os outros seres vivos, enquanto às ações dos Homem (sejam, elas quais forem) chamamos de “perturbação”, e consideramos que degradam o “equilíbrio da natureza”. É um novo mito do bom selvagem, mas agora aplicado aos seres vivos não humanos.

Da visão criacionista, que na essência nos diz que Deus fez um mundo perfeito e eterno, resulta a nossa noção de “equilíbrio” da natureza, visto sempre como a criação do tal estado “ótimo” em que supostamente a natureza atingiria o seu “clímax” de abundância e diversidade de vida. A primeira noção que é necessário desmistificar é a de “equilíbrio”, geralmente visto como um estado ideal do sistema natural de uma região, em que os fatores naturais, como geologia, solo e clima, moldam o sistema biológico até atingir o tal estado ótimo, perfeito e imutável. Na verdade, e pelo contrário, o que os sistemas naturais têm (felizmente) de mais constante e que constitui a sua melhor arma de sobrevivência e evolução, é a sua dinâmica que permite a adaptação permanente à mudança: o “desequilíbrio” é o motor da vida na terra, e é dele que resulta a evolução permanente dos seres vivos, e o aperfeiçoamento dos sistemas naturais. Se o tal “equilíbrio” alguma vez tivesse tomado conta do planeta, ainda hoje não haveria nele mais que as bactérias do início da vida na Terra.

Associada à noção edílica de “equilíbrio”, anda frequentemente a noção de “harmonia” da natureza, muito em voga, até por um certo fascínio atual por uma cultura mística orientalizante que domina parte do pensamento moderno do cidadão culto e urbano. Efetivamente, na realidade não existe na natureza qualquer tipo de “harmonia” mais ou menos divina, mas antes uma evolução que nasce de uma luta, frequentemente cruel, impiedosa e permanente entre indivíduos e espécies, no sentido da sobrevivência dos mais dominadores e o sucesso reprodutivo das suas espécies. Felizmente o mundo não anda ao sabor das ideologias humanas, mas antes pelas suas próprias leis, porque se assim não fosse nada teria evoluído até hoje.

Deste combate entre os que estão melhor e os menos bem adaptados às condições de um local em cada momento, resulta o domínio de alguns e o desaparecimento de outros, mas esse processo não conduz ao acréscimo de biodiversidade, antes pelo contrário à sua redução. Em particular, se as condições físicas do território forem as mesmas em vastas áreas, a evolução natural sem perturbações externas conduz inevitavelmente a uma monotonia paisagística e a um grande empobrecimento no que respeita à diversidade da vida e mesmo à sua abundância.

Mas o planeta vive em permanente mudança, desde logo pelas variações cósmicas que induzem alterações nos climas (mesmo as não induzidas pelas atividades humanas), pela difusão de espécies vegetais e animais (mesmo as que não são da nossa responsabilidade), pela existência de incêndios (mesmo os que não são de origem antrópica). Essas “perturbações” constantes que ocorrem no planeta (onde devemos necessariamente incluir muitas das causadas pelo Homem), se moderadas, dão até origem à multiplicação de paisagens e de espécies vivas, e necessariamente ao enriquecimento da vida na Terra.

Por muito que vos custe, esqueçam as ideias de “natureza perfeita”, “imutável”, plena de “equilíbrios” e “harmonias”, porque tudo isso não passa de imaginação moderna, que não tem qualquer correspondência com o mundo real.

Lamento se estou a destruir o vosso imaginário romântico da natureza, mas é assim ma realidade é esta.

domingo, 13 de dezembro de 2020

A escola e os meninos insolentes

Há gente que deixa uma marca no mundo que perdura muito para lá da sua própria existência ou da sua permanência em cargos de poder. Poderiam ser lembradas dezenas, centenas ou milhares de pessoas que estão nessa situação e aos quais ainda hoje devemos muito. Em plena pandemia será talvez oportuno lembrar o criador do nosso Serviço Nacional de Saúde, António Arnaut, sem o qual parte dos portugueses ficaria, como acontece mesmo em países ricos e poderosos, a morrer à porta do hospital por falta de dinheiro ou seguro de saúde para conseguir tratamento. Mas é evidente que personalidades como Mahatma Gandhi ou Nelson Mandela e muitos outros, embora mortos, continuam a contribuir ainda hoje para um mundo melhor.

Há contudo os que marcam o mundo negativamente, e também entre esses há os que o continuam a moldar mesmo depois da sua saída de cena. Esse é o caso de vários ministros da educação que tivemos no passado em Portugal, e que não só degradaram o sistema educativo enquanto exerceram o cargo, como muito pior que isso, na sua sanha aos professores e ao ensino público, criaram uma imagem do professor e da escola pública que conduziu ao seu desrespeito por parte de alguns pais e naturalmente dos seus filhos.

Quando eu era menino de escola e a minha mãe me dizia “um dia destes vou à escola para saber como é que te tens portado”, eu até tremia. Ainda que na época não cometesse mais que os pequenos pecadilhos de moço – desatenção ao discurso do professor, chegar atrasado a uma aula ou outra, uma falta esporádica para acompanhar alguma colega mais “interessante” – sabia que a escola era coisa séria e de respeito, e mesmo esses pequenos deslizes eram mal compreendidos e dificilmente perdoados pelo menos sem o ralhete da ordem. Receava também que algum professor, mesmo que por mera confusão com outro aluno, se queixasse de algo que eu nem tivesse feito, porque nesse caso a palavra do professor era “palavra de rei”, e mesmo que eu tivesse razão ninguém ma daria.

Mas alguns dirigentes políticos da área da educação entenderam que a melhor maneira de dirigir a escola pública em Portugal era espezinhar e humilhar os professores ao máximo, desacreditá-los a eles e à própria escola pública, acusá-los de laxismo, de incompetência, e sabe-se lá mais de quê. Tentaram (e conseguiram) degradar a imagem do professor com artimanhas várias usadas por quem não tem bons princípios morais, nomeadamente tentando omitir as virtudes de toda a classe e exaltando as suas insuficiência, ignorando os bons exemplos e promovendo a divulgação de tudo o que poderia desprestigiar os professores.

A partir de certo momento passou a ser comum ver noticiar na comunicação social situações de agressões por parte de alunos e de encarregados de educação a professores, e um tanto por todo o lado se percebia que o antigo prestígio e respeitabilidade da classe docente estava de rastos. A palavra do professor, adulto, por vezes já mesmo ancião, que pela sua formação escolar e profissional e pela idade, deveria merecer crédito, passou a valer menos que a palavra de um qualquer fedelho insolente que, escudado pelo desrespeito geral da sociedade dos adultos ao professor, passou a poder mesmo mentir, sabendo que a ele ninguém “levará preso”.

Hoje muitos pais deixaram de ir à escola saber como os filhos se comportam, e caso haja conflito com o professor, dar o respetivo corretivo nos meninos mal comportados. Pelo contrário passaram a ouvir apenas a versão dos filhos (quantas vezes os tais “meninos mal comportados”), e ir à escola para “dar um ralhete ao professor”.

É evidente que os que criaram este desrespeito à escola e aos seus profissionais provocaram um dano que se estende e estenderá muito para além da vigência dos seus cargos, mas é bom que nos lembremos deles porque merecem a nossa censura. Quando hoje um aluno numa turma tem um comportamento que prejudica a aprendizagem de todos os colegas e retira produtividade ao investimento público na educação, isso ainda se deve em parte ao passado, e a responsáveis políticos que mesmo em democracia dirigiram os seus subordinados como os “reizetes tirânicos” de outros tempos.

Não valerá a pena perseguir culpados, mas vale seguramente a pena corrigir atitudes. Não se consegue ter condições de aprendizagem sem que os alunos respeitem os professores (até parece ridículo ter que dizer isto), e essa tarefa de ensinar uma atitude de respeito à escola cabe aos pais, e eles são os primeiros e principais responsáveis quando as condições de funcionamento das atividades letivas numa turma se degradam. Por isso, não vão à escola saber por que motivo o professor não “controla” os alunos; antes disso perguntem-se se os vossos filhos foram ensinados a respeitar os adultos no geral, os mais velhos, e em especial os professores que dão o melhor do seu esforço para fazerem deles gente capaz e com futuro.

E os pais que ainda ensinam os bons princípios aos seus filhos devem perceber que em grande medida, se a escola não funciona melhor, isso deve-se à má educação e insolência de alguns alunos e da proteção que os pais lhes dão.

Publicado no Jornal Sudoeste de dezembro de 2020