quarta-feira, 24 de abril de 2013

O SONHO E O FUTURO

Em vésperas do 25 de Abril deste ano de 2013, vejo como o sonho de conseguir uma sociedade justa e verdadeiramente democrárica vai ficando cada vez mais distante. Foram muitos os que, como eu, julgaram que um dia haveria um mndo melhor para os nossos filhos. Passam-se os anos, e o sonho desse mundo melhor é como imagem de fumo que se desfaz no ar. 
Já se aceita sem indignação a "cunha", o favor pessoal, o desrespeitar os princípios mais elementares de retribuição do mérito... Como foi possível descer tão baixo? Descer ao ponto de aqueles que esperam favores de uma qualquer influência partidária não se envergonharem! Que país estamos a deixar aos filhos? Que é feito da honra? da dignidade? da decência????

Neste tempo de primavera vos digo: 

Pode o pior dos homens subir ao maior dos tronos, mas ainda assim, continuará a ser o pior dos homens.

Mas o Homem sempre sonha, e um dia o sonho será concretizado... 

domingo, 21 de abril de 2013

Os Longos Tentáculos do Polvo


Houve tempos em que os partidos políticos arranjavam colocação para os seus “rapazes” nos ministérios, em cargos próximos dos gabinetes de gente importante, ao nível do Ministro ou do Secretário de Estado. Mais tarde começaram a nomear gente para cargos menores, criaram-se assessores mesmo nas Direções Regionais e no mesmo abaixo disso, em órgãos de utilidade mais que duvidosa de âmbito sub-regional. Mas agora este “polvo” lança já os seus tentáculos até ao ponto de controlar a gestão das “escolinhas de província”, como é o caso do novo Agrupamento de Escolas de Odemira. É animal insaciável, não há dúvida, e qualquer dia, até para se ser porteiro é preciso mostrar a cor partidária ou qualquer outra fidelidade.
De facto, muito embora exista uma proposta de comissão instaladora do novo agrupamento nascida das direções anteriores (e que reúne o acordo geral da comunidade e que inclusivamente recebeu o apoio unânime da Assembleia de Escola), a Delegação Regional de Évora nomeou para dirigir a Comissão Instaladora do novo agrupamento uma pessoa sem qualquer experiência e cujo perfil é tudo menos consensual. Troca-se uma direção competente e com muitas provas dadas, por uma outra sem qualquer preparação para o cargo. Só por milagre não vai correr mal, e só por esse mesmo milagre o dinheiro dos nossos impostos não será malbaratado. A reforma da administração pública de que tanto se fala deve ser feita pela busca da competência, e não apenas por despedimentos indiscriminados.
Ora, alguém deveria explicar aos nossos dirigentes intermédios, e mesmo aos dirigentes de topo que nos governam, que isto da democracia não é bem um processo em que a comunidade elege de quatro em quatro anos alguém para a tiranizar. A democracia é muito mais que um processo eleitoral. É também uma forma de relação da administração com a sociedade civil, em que existe respeito mútuo. Mas parece que essa parte da democracia entre nós ficou na gaveta.
Como sabemos que frequentemente o dirigente máximo de um organismo, embora seja responsável por todo o aparelho, desconhece as trapalhices que os quadros intermédios vão fazendo, relato esta situação, esperando que o Ministro corrija o que deve ser corrigido. E ficamos à espera. Se a administração central nada fizer em relação a este e a muitos outros casos tiraremos as nossas conclusões.
E já agora quero ver a cara de algumas pessoas daqui a um ano, quando a normalidade democrática for reposta...

quinta-feira, 7 de março de 2013

QUE A PARTIDOCRACIA DÊ LUGAR À DEMOCRACIA
Ainda não há grande tempo ouvi um político amigo referir o papel fundamental que os partidos políticos têm para a democracia. Pois então falemos de partidos políticos.
Que os partidos políticos são essenciais à democracia, diz-se, mas possivelmente só é aceite como verdade por ser repetido tantas vezes. Porque, pensando bem... um regime político em que os deputados são eleitos pelos cidadãos, mas devem obediência aos partidos... diz-se até que em alguns casos assinam uma carta de demissão do cargo de deputado antes sequer de serem eleitos, para que nunca sejam mais que marioneta na mão da direcção do partido que lhes faculta um lugarzito nas listas.
Vêm ter com o cidadão a prometer mundos e fundos, papam os votitos, e depois desaparecem lá para os corredores dos palácios lisboetas, e só lhes voltamos a pôr a vista em cima quatro anos depois! Anotem: tudo o que não evolui no mundo, o que não acompanha os novos tempos, mais cedo ou mais tarde fica caduco desinteressante e inútil. E é claro que podemos passar bem sem o que é inútil. Se os partidos não evoluírem...
Imaginem agora algo diferente, algo mais próprio de uma democracia a sério para o século em que vivemos. Imaginem que eu ajudo com o meu voto uma pessoa honrada a ser eleito deputado, mas ele sente que me está a representar a mim e aos demais que o elegeram, e não a cúpula do partido. Se podemos tratar de tantos assuntos sérios pela net, (finanças, bancos, etc.) também seria perfeitamente possível que o nosso eleito dispusesse de um site onde colocava à consideração dos seus eleitores as questões mais relevantes. Imagine-se que perguntava se deveria ou não votar favoravelmente o orçamento de estado. E o seu voto seria consequência da indicação dada pelos cidadãos que representava, e não da ordem dada pelo partido. E se em cada votação feita na A. R. fosse publicado na net o sentido de voto de cada deputado? Poderíamos saber se o deputado que nos representa votou de acordo com o que nos parece bem, ou se pelo contrário o seu voto não corresponde ao que julgamos correcto. É claro que o desinteresse dos eleitores pela política iria desaparecer, e por certo que a qualidade da democracia disparava.
Então e os partidos para que serviriam? Não sei bem. Parece que actualmente se assemelham mais a associações de malfeitores que têm como objectivo tomar de assalto o poder e tirar daí vantagens pessoais para boa parte dos seus membros. Por isso talvez não façam grande falta conforme estão. Pode ser no entanto que os homens honestos que também existem nos partidos (e onde incluo muitos autarcas da nossa região) acabem por levar a própria democracia para dentro dos partidos e que estes se constituam como alfobre e escola de vivência democrática, cidadania e espírito de serviço à comunidade. Tenho esperança que algo mude, que os tempos gritam por mudança.

segunda-feira, 4 de março de 2013

OS MODERNOS TRAIDORES À PÁTRIA
Aquele que a troco de qualquer vantagem pessoal prejudica os seus, é traidor. Assim, aquele que recebe chorudas prendas de estrangeiros para prejudicar os portugueses e Portugal, só pode ser considerado traidor. Traidores vários, são actualmente pagos a preço de ouro para dar vantagens a estrangeiros e a suas empresas, e isto em prejuízo do povo português e de Portugal. Passa-me pela ideia que um dia, os muitos traidores deste país venham a ser julgados e condenados pelo que são. E então não será fácil controlar o povo, que nesses casos sabe bem o que merecem os traidores...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

MAIS ESTADO, PIOR ESTADO OU... 

"O ESTADO A QUE NÓS CHEGAMOS".

Num tempo em que a necessidade de reduzir o papel do estado na sociedade é alardeado constantemente, e se aclama a necessidade de ter "menos estado" depara-mo-nos com mais uma situação no mínimo escandalosa: vai passar a ser obrigatório renovar a carta de condução aos 30 e aos 40 anos (isto depois de ter sido criada a obrigatoriedade de a renovar aos 50 anos, já de si injustificada). Mas esclarece-se, para que não restem dúvidas a ninguém, que se trata de um ato meramente administrativo, portanto que não tem qualquer objetivo prático. Não serve para verificar se o condutor ainda sabe conduzir, se está de posse das capacidades físicas e psíquicas necessárias, nada... é apenas uma obrigação formal inútil.

Portanto vai ser obrigatório de tempos a tempos pagar uma taxa (tem sido de 30 €) e certamente mais umas papeladas... Por certo, dependendo do local onde se mora, vai perder-se algum tempo de trabalho. Eu, quando a renovei aos 50 anos teria que ter perdido um dia de trabalho no processo, já que moro em Odemira e teria que se tratar em Beja do processo administrativo. Ir a Beja são 200 Km, um dia de trabalho... Por isso fiz o que muito boa gente terá que vir a fazer no futuro: largar mais umas notas numa escola de condução que me resolve o problema ao mesmo tempo que alivia a carteira.

Agora repare-se: vai haver mais funcionários públicos a tratar dos papéis; vai haver mais funcionários privados que, bem à portuguesa, vão trabalhar sem qualquer utilidade ; vão ser perdidos milhares de dias de trabalho; o rendimento do cidadão vai ser diminuído (ainda mais) e ... Não se vai produzir absolutamente nada!!!

Este é o estado de que não precisamos. É o estado que burocratiza, que complica, que reduz a produtividade, é o estado que não presta, e do qual precisamos de nos livrar com urgência. Num tempo em que se reduzem médicos e professores porque não há dinheiro, vai pagar-se a funcionários absolutamente inúteis e que ainda por cima promovem a redução da capacidade produtiva do país? Quem acreditará nos dirigentes políticos e quem se juntará a eles num qualquer projeto de unidade e salvação nacional?

Se o que se pretende é roubar mais uns trocados ao contribuinte, mais vale aumentar o IRS uma décima, que pelo menos não temos que faltar ao trabalho para pagar...

E é este, meus amigos, o "estado a que nós chegamos".

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O ENSINO SECUNDÁRIO DO FUTURO

Tem-me acontecido tantas vezes, que já é quase banal: proponho algo que me parece lógico e interessante; a ideia que proponho é recusada pela generalidade das pessoas; passados anos, essa mesma ideia passa a ser aceite, e por vezes acaba mesmo por ser aplaudida pelos que antes a repudiaram. Só que entretanto muito  tempo passou...
Imagine-se que em vez de o Ensino Secundário ter um currículo rígido, com disciplinas obrigatórias, tinha uma organização mais livre, em que o aluno poderia fazer o seu próprio percurso de estudos entre o leque de disciplinas disponível. Cada disciplina corresponderia a um certo número de créditos, e o aluno teria o Ensino Secundário completo quando somasse o número de créditos pré-determinado. Tão simples,não é?
Teria a vantagem de deixar de haver alunos "encravados" numa qualquer disciplina "obrigatória": imagine-se um aluno de "Artes Visuais" que é brilhante nas disciplinas específicas do seu curso, mas que "empancou" com  a Filosofia. No modelo actual simplesmente nunca acabará o curso enquanto não fizer a disciplina em falta. No Ensino Secundário por créditos, que me parece mais ajustado à nossa realidade e mais lógico, o aluno simplesmente substituiria a disciplina em fala por uma outra, provavelmente até mais útil para a sua formação, mais motivadora, e logicamente mais propiciadora do sucesso. Evidentemente que isto reduziria o insucesso, reduziria as repetências, reduziria os custos que o estado tem com a educação...
Em vez de aumentar o número de alunos por turma para poupar, degradando a qualidade da educação, o estado (se nele existisse inteligência e real capacidade crítica) deveria aproveitar a crise para reformar inteligentemente a Escola. Notem bem: o governo que precisamos é o que conseguir fazer melhor com menos dinheiro, não o que para gastar menos, faz pior.
Também me custa pensar que, sendo esta solução tão evidentemente simples, lógica e eficaz, só venha a ser implementada daqui a muitos anos. Às vezes parece-me que os vinte ou trinta anos de atraso que temos em relação a outros países da Europa, resultam sobretudo desse atraso dos nossos governantes!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Sexo e violência

Estranho que quase não haja filme nenhum em que não entrem os tiros, explosões e mortes. Parece que são as coisas mais naturais do mundo. Passam-se esses filmes no "horário nobre" das nossas televisões, e ninguém relaciona essa banalização da violência televisiva com a banalização da violência na vida real.
Já se o assunto é sexo... Os filmes com cenas de sexo, só fora de horas, com avisos claros de que se trata de coisa a esconder às crianças, poucas vergonhas...
Não percebo bem:
Matar gente, uns atrás dos outros, a tiro, à faca, à bomba, é coisa normal, que se pode divulgar mesmo às crianças, que pode ser vista em conjunto às quatro da tarde no sofá da sala em conjunto por pais e filhos;
O amor, cuja expressão última e mais forte é a o sexo, é crime, coisa pecaminosa!
Portanto,
o amor e crime e o homicídio é banal.

Alguém me consegue explicar a lógica disto?